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Nutrição Peri-operatória

Autor: Projeto Acerto

Origem: Própria

NUTRIÇÃO PERI-OPERATÓRIA Desde os primeiros registros de Studley, em 1936, relacionando o estado nutricional pré-operatório de pacientes com úlcera péptica aos índices de mortalidade e de complicações pós-operatórias, que a influência da nutrição em pacientes cirúrgicos tem sido observada e documentada. A desnutrição é um problema estatisticamente apreciável em pacientes cirúrgicos e predispõe, segundo muitos relatos na literatura, a uma variedade de complicações e a uma maior taxa de mortalidade pós-operatória quando comparada a doentes eutróficos. Assim, a desnutrição em doentes cirúrgicos relaciona-se a maiores custos hospitalares, maior tempo de internação, maior incidência de infecções e de mortalidade. A prevalência da desnutrição em pacientes cirúrgicos varia de 22 a 58% dos casos e parece ocorrer igualmente em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Aguilar-Nascimento et al. (1991) detectaram que 35% dos pacientes internados para operações eletivas em um hospital universitário eram desnutridos. Os resultados do Inquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional Hospitalar englobando 12 estados e o Distrito Federal, envolvendo 25 hospitais e cerca de 4000 pacientes mostraram uma taxa de 48.1% de desnutrição em pacientes internados. O cuidado nutricional do paciente cirúrgico eletivo deve se iniciar ainda no período pré-operatório. Uma triagem e avaliação nutricional pode seguramente identificar o comprometimento do estado nutricional e indicar a necessidade de intervenção pré-operatório. Medidas laboratoriais de proteínas séricas auxiliam no diagnostico da desnutrição. Pacientes nutridos não necessitam de cuidados especiais para operações de pequeno e médio porte. Porém, em desnutridos candidatos a operações de grande porte, especialmente sobre o aparelho digestivo, recomenda-se uma terapia nutricional por 7-10 dias antes da intervenção. A busca de uma via nutricional durante o ato operatório (sonda enteral locada no jejuno ou jejunostomia, tipo Witzel para nutrição precoce) é recomendada em alguns casos para nutrição precoce. Sempre que possível, prefere-se a via enteral, mas, na impossibilidade de seu uso, não se deve hesitar em oferecer terapia nutricional pela via parenteral. Pode-se constatar que mesmo com normas que preconizam o suporte nutricional pré-operatório nesses doentes, isso não acontece na maioria dos casos. No nosso hospital, após a implantação do projeto ACERTO, mais atenção foi dada ao assunto e dessa maneira mais pacientes foram beneficiados. Isso, em conjunto com outras medidas deve ter influenciado nos melhores resultados observados na segunda fase do estudo. AGUILAR-NASCIMENTO JE, CAPOROSSI C, SERRA MC et al. – Implicações da desnutrição em cirurgia. Rev Col Bras Cir 1991; 28:193-7. WAITZBERG DL, CAIAFFA WT, CORREIA MITD – Inquérito brasileiro de avaliação nutricional hospitalar (IBRANUTRI). Rev Bras Nutr Clin 1999; 14:123-133. Petrelli NJ, Cheng C, Driscoll D, Rodriguez-Bigas MA. Early postoperative oral feeding after colectomy: an analysis of factors that may predict failure. Ann Surg Oncol 2001; 8(10): 796-800. Correia MITD, Caiaffa WT, Silva AL, Waitzberg DL. Risk factors for malnutrition in patients undergoing gastrointestinal and hérnia surgery: na analysis of 374 patients. Nutrición Hosp 2001; 16(2):59-64. Aguilar-Nascimento JE, Kudsk KA. Use of small-bore feeding tubes: successes and failures. Curr Opin Clin Nutr Metab Care 2007; 10:291-296. Waitzberg DL, Caiaffa WT, Correia MITD. Hospital malnutrition: the Brazilian national survey (IBRANUTRI): a study of 4000 patients. Nutrition 2001; 17(7-8):573-80.


Arquivos Anexos:

Título:  Triagem e Avaliação do Estado Nutricional
Arquivo:  Triagem e Avaliação Estado Nutricional.pdf







 
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